10 fevereiro 2006

Alexander


O longa metragem “Alexandre” não é apenas grande porque a figura do homem é cheia de mitos e conquistas, nem tampouco porque sua produção é estrondosa, mas porque a linguagem cinematográfica inserida ali é uma aula completa, desde a pré-produção à edição de imagens.
As imagens criadas por Oliver Stone, diretor da película, são que uma magnitude incomparáveis, nem Titanic foi tão inteligente. As batalhas, as sutilezas, os pontos chave...

E os pontos chave da trama são muito bem escolhidos, baseiam-se na relação incestuosa da mãe, Olímpia, com o filho, Alexandre. Já na primeira cena em que os dois aparecem propriamente dito (digo propriamente dito, porque a primeira cena do filme é a mãe chorando pela morte do filho), ela já é marcada pela figura da cobra, representando a mãe. Olímpia diz: “Confia naqueles que te dão amor. A vida apenas começou, meu filho. A pele dela é como água, a língua é como fogo. Ela é sua amiga. Pegue-a. Se você hesitar ela o atacará.”. Esta fala encerra o poder da mãe sobre o filho, a dominação.

Esta dominação é pontuada no filme inteiro, demonstrando o poder e a influência da mãe sobre o filho. Dominação que só é quebrada quando Alexandre está em batalha, momento em que ele é dono de suas próprias decisões, ele está no comando de sua vida e de seu reino. Estas são as cenas em que a águia aparece, outro elemento simbólico, que pontua a superioridade de Alexandre. Tendo em vista que o único temor da cobra, na natureza, é a águia, podemos perceber que, por maior controle que Olímpia tenha sobre Alexandre, ela o teme. Teme perdê-lo, teme ser abandonada por ele, teme sua grandiosidade.

Desde o princípio do filme, podemos ver com clareza esta dependência e sentimento de posse de Olímpia, brilhantemente interpretada por Angelina Jolie. Uma das primeiras cenas, em que se evidencia a relação de Olímpia com o marido Felipe, ela diz a Felipe: “Você nunca o terá”, referindo-se a Alexandre. E esta “profecia” se concretiza quando Felipe renega Alexandre publicamente e pouco depois é assassinado, não se sabe se por Olímpia ou não.

O longa ainda traz cenas surpreendentes de batalhas. A última delas a mais interessante, porém, é a que Alexandre é atingido. Neste momento, a tela adquire tonalidade avermelhada, cor símbolo da guerra para os orientais. A cena, em slow motion, é de uma beleza e emoção que consegue envolver o público de forma jamais vista. Uma cena que incomoda, mas que não deixa que se tire os olhos dela.

Interessante, brilhante e muito inteligente, além de belo e cinematograficamente correto, se é que podemos usar tal designação na sétima arte.

(Alexander, EUA, 2004, Oliver Stone)

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