Cinema, Aspirina e Urubus é um filme aparentemente muito estranho e pouco iluminado. É a história de um alemão que foge da II Guerra Mundial para o Brasil. No novo país, ele tenta a vida vendendo um novo e promissor remédio, a aspirina.
A película cativa desde o primeiro instante, quando mostra as belas imagens, que mais parecem estar em sépia. Uma fotografia impecável. Além disso, o filme incita o público a procurar o porque do título, tão peculiar.
O personagem principal representa o progresso ao mesmo tempo em que este progresso significa a cura dos males e a guerra.
Outro aspecto bastante singular no primeiro longa-metragem de Marcelo Gomes (diretor e co-roteirista), que às vezes até incomoda um pouco, são os cortes. A princípio parece que houve erro de corte, de continuidade. Mas com o passar do filme, identifica-se a real intensão do diretor: enfatizar e exaltar os diálogos. As conversas, por vezes banais, têm um significado bastante importante no que diz respeito ao encontro das duas culturas – a brasileira e a alemã – num ambiente tão árido, seco e hostil. É por meio delas que se conhece cada personagem.
O aparelho de rádio é uma pontuação muito interessante, pois marca o desenvolver da história. É através dele que o alemão houve as notícias do mundo e assim resolve seu destino. É novamente o progresso e a tecnologia levando e glória e desastre para a vida do personagem.
O filme, que concorre ao Festival de Cannes, é peculiar, despretensioso e extremamente fiel e agradável aos olhos e aos ouvidos.
(Cinema, Aspirina e Urubus, Brasil, 2005, Marcelo Gomes)
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